Sexta-feira à noite, enquanto trabalhava no computador, com a televisão ligada, anunciam... “Neste sábado vai acontecer o 61° Encontro Nacional de Folia de Reis, em Muqui no ES”. Como assim? Um grande encontro numa cidade linda, exatamente com uma das manifestações que estamos pesquisando? VAMOS!
Ainda ligamos para o Hotel Nunes, o mais famoso da cidade, mas não tinha vaga, o que não nos fez desistir, pelo contrário, desencanamos e decidimos procurar quando chegasse... Num é possível que uma cidade tão simpática não nos abrigaria.
Dito e feito, ao chegarmos, encontramos o grande cineclubista Tião Xará, que nos ofereceu acolhedora hospedagem. A arquitetura local é maravilhosa, a cidade de Muqui surgiu no final do século XIX, então o acervo arquitetônico está vinculado à produção cafeeira. Durante o Encontro Nacional, as folias e a arquitetura local entram em harmonia, a tradição popular complementa o visual da acolhedora Muqui, ótima para fotografar e filmar.
Além de nos acolher, Tião Xará nos apresentou ao atual presidente da Comissão Espírito-santense de Folclore, o Guilherme Manhães. Um encontro providencial que nos proporcionou uma inserção na realidade atual do folclore capixaba, além de possibilitar o acesso a um rico acervo presente na sede da Comissão.
Tivemos sorte, estava um tempo chuvoso no ES, mas em Muqui era o maior Sol, durante todo o desfile das Folias o céu estava azul, sem nenhuma nuvem.
A sensação de estar participando da apresentação de Folia de Reis é bem particular. O colorido ritmado toca com o que se vê e o que se é. A cidade recebeu cerca de 70 grupos de Folias de Reis dos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O evento, que acontece todos os anos, teve início em 1950, por iniciativa do professor e então prefeito da cidade Dirceu Cardoso um entusiasta da cultura popular. De lá pra cá, o Encontro só cresceu e reúne foliões de toda a região sudeste e turistas de todo o país.
O Palhaço, como é conhecido o mascarado, é uma figura curiosa da manifestação, geralmente, e assim perguntei a dois palhaços, eles representam o demônio. Tanto que durante a bênção das Folias, na Igreja Matriz, os palhaços não entram, aguardam a missa do lado de fora. O fato curioso é que, ao ser indagado, outro palhaço negou que era proibido de entrar na igreja, era uma escolha deles, pois os palhaços ficavam suados, o que atrapalharia o restante do grupo durante a missa. Mas existe também a versão que a figura caricata do palhaço representa os soldados de Herodes, que, disfarçados em farrapos e máscaras, perseguiam os Reis Magos, a fim de informar o Rei Herodes onde estava o menino Jesus. Mas, ao encontrarem o menino, eles se arrependeram e se ajoelharam em adoração a Jesus.
Vale muito à pena experimentar as cores e a emoção marcantes. O canto das Folias toca e ritma nossas sensações. Manifestações populares são mágicas, os foliões, nome dado aos participantes da Folia, deixam transparecer a felicidade de participar de uma festa que desde criança faz parte das suas vidas.